quinta-feira, 26 de abril de 2012

Vi Caruso Andante

E Caruso caminhou
Por entre o barro, caminhou
Era uma massa úmida e vermelha;
Carnal.
Das entranhas da terra roxa, brotava
Eram os miolos.
Caminhou a passos trêmulos
machucando o solo, calcanhando.
projetava-se, fantasmagórico, canto a outro
E com isso misturava
As borbulhas do chão, misturava;
O soluço do chão, misturava;
se misturava.

Caruso olhou o horizonte
No escuro, tateou com os olhos luz sublime
Era uma cruz luminosa
A estrela quadripontual
Reinante ao fundo negro
Piscou pra se comunicar
A resposta demorou chegar
No que veio se apagou
E Caruso rumou

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Abstinência

no meu peito, o corpulento embalo
de um coração que soluça saudade
A assoar, de suas membranas sôfregas
Faz que se encolhe; manhoso
Não aguenta e irrompe em choro outra vez
geme o gultural sentido da solidão
e lamenta