me abandonei no mundo
joguei as tralhas na frente dos bois
puxei a corda e fui
não sabia onde
apenas fui
me abandonei de mim
ví-me rio, prestes a cachoeirar
fluxo invertido, corri pra cima
e para dentro
não sabia que prata era aquela que reluzia
só reluzia, em minha alma-espelho, rio que era
rio que sou.
Refletia o mundo que propus me abandonar em
me jogar em
me conhecer em
me ser em
me abandonei de todos
fugi.
e quando fugia de todos, fugi de mim
fugi pro sem rumo d'eus
a procurar por linhas imaginárias
um equador entre eu e o resto
ví-me então pirata solitário
pateta, ordinário
a se perder no mar que a bússola não logra medir
sábado, 18 de agosto de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Gnomoximorologicabilidade
É a capacidade de inventar
e decorar grandes palavras
De várias raízes fazer
aberração
Também diz-se do
desejo de agregar a estas significados os mais arbitrários
Posto que não são mais
de ninguém, mas de mim mesmo estas bizarrices
Ou quem sabe não seria
o poder de fazer rir
Por notar-se
brincalhão do jogo das terminologias?
Gnomoximorologicabilidade!
Que serias tu, oh
quimera dos mil vocábulos!
És um ingênuo
brinquedo da mente infantil do pateta?
O aproximar-se do pavio
semântico do profeta?
És sem dúvida um
mergulho profundo no mar sem fundo dos verbetes
Das extremas
possibilidades,
Do significar o
significante, à moda de Heráclito e seu rio
É o infinito, é tudo.
É não; pode ser.
Assinar:
Comentários (Atom)