me abandonei no mundo
joguei as tralhas na frente dos bois
puxei a corda e fui
não sabia onde
apenas fui
me abandonei de mim
ví-me rio, prestes a cachoeirar
fluxo invertido, corri pra cima
e para dentro
não sabia que prata era aquela que reluzia
só reluzia, em minha alma-espelho, rio que era
rio que sou.
Refletia o mundo que propus me abandonar em
me jogar em
me conhecer em
me ser em
me abandonei de todos
fugi.
e quando fugia de todos, fugi de mim
fugi pro sem rumo d'eus
a procurar por linhas imaginárias
um equador entre eu e o resto
ví-me então pirata solitário
pateta, ordinário
a se perder no mar que a bússola não logra medir
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