quarta-feira, 13 de maio de 2020

Dando Nome aos Bois ou Por que não chama simplesmente de capitalismo?

As pessoas que dizem que capitalistas geram emprego esquecem de uma coisa bem básica do próprio capitalismo. Se o princípio do capitalismo não fosse o lucro, eu acreditaria nisso, mas, baseado nesse princípio, sabe-se que o capitalista na verdade elimina empregos, ao máximo. Os empregos que o capitalista oferta são, na verdade, vistos como um mal necessário. Tenha certeza: se fosse possível produzir sem a necessidade de um trabalhador, como cada vez mais acontece no agronegócio, os capitalistas eliminariam de uma vez por todas ou reduziriam a quase zero as vagas de emprego. A nossa sociedade não se baseia no atendimento das necessidades dos humanos que a compõem. Se caso fosse, não faltariam empregos, pois todos os dias precisamos de mais médicos, mais enfermeiras, mais professores, mais mestres de obras, mais quase tudo. Vocês acham que existem salas de aula com 40 alunos ou mais porque é melhor para a educação ou porque atende melhor a nossa necessidade de sermos educados? Não! Essa quantidade de aluno não quer atender a qualquer necessidade humana, mas tão somente a "necessidade" (ou ganância) de um empresário ter seu lucro potencializado. Por isso, o estado, que é um intermediário da burguesia, sucateia ao máximo os serviços públicos, para que o setor privado consiga barganhar melhores preços e condições cada vez piores para a população em geral (já que eles são praticamente a única alternativa que nos resta), deixando o atendimento decente apenas pra quem tem muito dinheiro, as classes médias e o atendimento ideal apenas para quem controla toda a sociedade, as classes burguesas.
Enfim, pare de defender empresário, porque agora eles estão cagando para você. O maior interesse deles é lucrar e manter os lucros no nível do obsceno, mesmo que tenha gente morrendo para isso. E isso não é exclusivo da crise. Uma escola pública ruim gera abandono escolar e sentimento de rejeição por parte dos alunos que, a longo prazo, pode gerar a total apatia pela vida, que pode levar um aluno desse a se envolver com crime e morrer, pra citar apenas um exemplo de como o capitalismo mata, sempre matou e vai continuar matando. Necropolítica é apenas um nome bonito para o não tão bom mas já muito velho e ultrapassado capitalismo.

Soul Rio

Você acorda, e vai ao rio, e já não vai ao mesmo rio de quando decidiu;

Você chega, se molha no rio, mas você já não é o mesmo que decidiu;

Depois do banho, diz que saiu, mas dentro de você ainda está um pedaço do rio;

O rio não é o mesmo, de quando você primeiro o viu, nem é você o mesmo que partiu;

Bolsonaro Marcha ao STF junto de Empresários

A marcha do presidente junto de empresários, numa tentativa esdrúxula de intimidação, ao STF entrará para a história como marco definitivo do partidarismo ideológico desse governo, já desde antes da eleição alinhado aos setores da burguesia mais escrota que temos nos país e mais entreguista. As pessoas ainda se perguntam, depois de tantas notas de repúdio, tantas hashtags, tantos editoriais de jornais que rechaçam as atitudes do energúmeno, por que diabos esse cara não sai? Já cometeu vários crimes de responsabilidade, proferiu falas que deixariam presidentes da regime ditatorial empresarial-militar ruborizados, quebrou promessas de campanha, dentre tantos outros motivos que derrubariam um presidente comum. Mas não o bozo. As pessoas ainda não se deram conta de que esse nosso modelo de democracia de democrático não tem quase nada além do nome. Eleger uma pessoa a cada 2 ou 4 anos para tomar decisões por toda uma população que assiste atônita as negociações sendo feitas por aqueles que de fato detêm o poder. Poder ao povo é o que caracteriza de fato a democracia, e eu não consigo enxergar isso em qualquer governo que tenha já existido no Brasil (exceto os modelos de sociedade indígenas que são muito mais evoluídos em termos de auto-gestão). Quando que as pessoas vão entender que esse modelo de democracia representativa não funciona, sobretudo em países que a grande maioria da população não tem consciência para escolher nem mesmo suas prioridades econômicas (justamente porque esse mesmo estado democrático não garante uma educação que gere exercício de cidadania)? Você acham que um Impeachment vai resolver? Entendo que pode amenizar um pouco, mas toda a chapa atual é alinhada ao mesmo grupo ideológico. E se diz sem ideologia, tão imersos estão no sistema que já acham suas escolhas tão naturais como a conversão de oxigênio em nossos pulmões! Espero que as pessoas parem de esperar pelos jornais, pelo STF, pela boa vontade de alguns políticos ditos de esquerda, pela movimentação da classe média, pela intervenção de forças democráticas exteriores (essa uma das mais ridículas, parece filme de Hollywood com super-herói e tudo). Vocês acham que todos esses não estão cientes? Estão. Mas os que querem fazer algo estão estáticos devido o modelo de sociedade que eles mesmos defendem, e o resto não quer nem tem interesse algum de fazer algo. A colonização nunca acabou, e agora que as principais forças econômicas do mundo se degladeiam pela liderança, o reacionarismo é necessário pra tentar salvar algumas pátrias falidas que ainda acreditam ou querem enfiar goela abaixo esse modelo neoliberal totalmente desfuncional. Como sempre, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, nesse caso, o nosso.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Voltando a postar...

Vou voltar a usar esse blog para postar mais que poemas. Vou postar também textos curtos de reflexão, que chamo de "fotografias do pensar". Não sei se são poemas, muito menos se são tratados filosóficos. Me limito ao título poético para não causar espanto ou dar ares de pretensão. O material estará aqui. Já venho os escrevendo desde muito tempo atrás, alguns foram apenas frases curtas que pretendo desenvolver em textos mais explicados, bem como minha filosofia de vida, o Especuluminismo. Quero abrir os espaço para discussão, mas já sei que esse blog vai alcançar muito poucas pessoas. Se por acaso alguém se interessar, pode postar comentário ou posso contactar por e-mail ou alguma rede social ou app de comunicação. Bem, por hora é só.

Remédio para medo da morte

- Eu não quero viver muito, quero viver bem.
Eu achava que não tinha cura para o medo da morte. De fato, talvez não exista mesmo. Mas essa frase me serviu de remédio. Logo eu, que me gabo de ter entendido que devemos “beber menos, beber melhor”. O conceito aplicado à cerveja não havia sido aplicado à vida...
Mas então, por quê querer viver tanto? Talvez a ideia tola de que fazemos tudo só e que são nossas as nossas ideias, os nossos planos e os sonhos dos quais apenas participamos. Participar. Esse parece ser o verbo que desabrocha nessa nova primavera da vida. De tudo participamos e nada realmente fazemos. Como fazer algo se nem mesmo podemos reclamar autoria? Sabemos que o recurso é sim utilizado, mas isso são doenças sistêmicas da nossa civilização. É vontade de concentrar. O egoísmo reina. O indivíduo parece estar acima do a coletivo. E, tendo em vista tudo isso, não posso querer viver tantos cem anos assim.
A frase supracitada me fez ver uma coisa: sempre quis viver muito, por ter muitos sonhos muitas ânsias, e achar, talvez de forma ingênua, que dependem só de mim. Essa enganação tem sido minha dor ao lembrar que pouco tempo me resta e já me aproximo de um quarto de centenário. Só que ao ver que “temos que viver melhor”, na verdade, percebo que de nada adianta viver cem anos e se 40 desses anos foram mal vividos. Preciso viver muitos anos bem, anos que dedicarei a esses projetos que não são meus, somente. Na verdade, eu apenas participo deles. Participarei deles, seja lá qual for a posição que eu ocupar, e deixarei um legado, mas não para ter meu nome lembrado, mas para que parte de mim esteja nessas coisas. Por isso participar. Só quem participa deixa uma parte de si no mundo. O que eu quero não é deixar meu nome, coisa inútil, mera convenção, título que serve para tão somente identificar um ser humano, algo que compartilho com mais milhão de gente, que fala tanto de mim quanto a cor do meu cabelo. O que eu quero mesmo é deixar parte de mim nesse mundo. Ser imortal, não é ter o nome estampado em livros de história. Isso é mera consequência de contribuição. Há tantos imortais anônimos ou quase anônimos, e talvez mais importantes que tantos destes de grande nome. Querer deixar o nome é dar importância maior ao título do que para a ação. A ação é que se conecta com o mundo. O título só se conecta com o código, e este é falho. É humano e por isso falho.

Por quê temer tanto a morte então? Não há motivos. É certo que teremos tempo suficiente, há de se ter o tempo, para deixar as ações encaminhadas. Ações que precedem a minha existência e ainda mais minha consciência delas. Ações sem autoria. Ações que se conectam por entre os vários cantos do globo, como uma rede invisível de pensamento, uma espécie de noosfera. Descansar em paz é saber que participamos de ações suficiente para que nunca sejamos considerados mortos. Há muitos que morrem muito antes do fim. Que não vivem há muito tempo. Como diz Veríssimo “quem quase morre ainda vive... quem quase vive já morreu”. Estar presente é mais que estar de corpo presente.

domingo, 29 de março de 2015

Superman


I really miss those times
when I used to be good
I felt like I could do everything
a young superman I was

My ambition now's gone
I can't see the clouds from here
can't see them beside me
while I fly so high.. I was so high

What if we could have
someone who stores all our data
all our thoughts, our minds and feelings
I wish I could have this person, just beside me
Life nowadays seems to be a matter of losing yourself

Imagine if a person like that existed.
Someone who told you when you're misstepping
Someone who told you who you really are
Someone who told where you should be

Everytime I look back in time
Is like looking to the sky
Like being a bird and not being able to fly
being low when you want to be high

sábado, 18 de agosto de 2012

Abandono

me abandonei no mundo
joguei as tralhas na frente dos bois
puxei a corda e fui
não sabia onde
apenas fui

me abandonei de mim
ví-me rio, prestes a cachoeirar
fluxo invertido, corri pra cima
e para dentro
não sabia que prata era aquela que reluzia
só reluzia, em minha alma-espelho, rio que era
rio que sou.
Refletia o mundo que propus me abandonar em
me jogar em
me conhecer em
me ser em

me abandonei de todos
fugi.
e quando fugia de todos, fugi de mim
fugi pro sem rumo d'eus
a procurar por linhas imaginárias
um equador entre eu e o resto
ví-me então pirata solitário
pateta, ordinário
a se perder no mar que a bússola não logra medir