me abandonei no mundo
joguei as tralhas na frente dos bois
puxei a corda e fui
não sabia onde
apenas fui
me abandonei de mim
ví-me rio, prestes a cachoeirar
fluxo invertido, corri pra cima
e para dentro
não sabia que prata era aquela que reluzia
só reluzia, em minha alma-espelho, rio que era
rio que sou.
Refletia o mundo que propus me abandonar em
me jogar em
me conhecer em
me ser em
me abandonei de todos
fugi.
e quando fugia de todos, fugi de mim
fugi pro sem rumo d'eus
a procurar por linhas imaginárias
um equador entre eu e o resto
ví-me então pirata solitário
pateta, ordinário
a se perder no mar que a bússola não logra medir
sábado, 18 de agosto de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Gnomoximorologicabilidade
É a capacidade de inventar
e decorar grandes palavras
De várias raízes fazer
aberração
Também diz-se do
desejo de agregar a estas significados os mais arbitrários
Posto que não são mais
de ninguém, mas de mim mesmo estas bizarrices
Ou quem sabe não seria
o poder de fazer rir
Por notar-se
brincalhão do jogo das terminologias?
Gnomoximorologicabilidade!
Que serias tu, oh
quimera dos mil vocábulos!
És um ingênuo
brinquedo da mente infantil do pateta?
O aproximar-se do pavio
semântico do profeta?
És sem dúvida um
mergulho profundo no mar sem fundo dos verbetes
Das extremas
possibilidades,
Do significar o
significante, à moda de Heráclito e seu rio
É o infinito, é tudo.
É não; pode ser.
terça-feira, 3 de julho de 2012
Flúido Psicopatológico
O sangue faz fagulha,
corpo etéreo em copo d'água.
Pincela a chama escarlate,
o líquido hostil.
Neuroestruturalmente conscientiza, faz alarde.
Dá a faca e o queijo
ao mero cidadão vil
É papel branco em oficina do diabo;
é sugestão.
O cálculo perfeito da subtração.
É dor somática, o refúgio;
escaldante, corre por trânsito adrenal
à procura de fundo.
A febre sobe;
o frio se espalha;
o ferro se impõe.
E um aroma pesado parece se descondensar.
De um rangido sorumbático
manifesta-se àquele lar.
Insípido, ferrodoro, rubrocor.
corpo etéreo em copo d'água.
Pincela a chama escarlate,
o líquido hostil.
Neuroestruturalmente conscientiza, faz alarde.
Dá a faca e o queijo
ao mero cidadão vil
É papel branco em oficina do diabo;
é sugestão.
O cálculo perfeito da subtração.
É dor somática, o refúgio;
escaldante, corre por trânsito adrenal
à procura de fundo.
A febre sobe;
o frio se espalha;
o ferro se impõe.
E um aroma pesado parece se descondensar.
De um rangido sorumbático
manifesta-se àquele lar.
Insípido, ferrodoro, rubrocor.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Mamãe com saudade
Nos sutís espaços, entrecortados
entre uma palavra e o respirar
deixa a tristeza se expressar
um pesar de saudade abafada
e forte
mas mansa no seu falar
não alarda, não grita, não faz cena
diz o não-dito que os corações percebem
mas que ouvido se engana
se sente impotente, mas ameniza por amor maior
amor de mãe, tem igual não.
entre uma palavra e o respirar
deixa a tristeza se expressar
um pesar de saudade abafada
e forte
mas mansa no seu falar
não alarda, não grita, não faz cena
diz o não-dito que os corações percebem
mas que ouvido se engana
se sente impotente, mas ameniza por amor maior
amor de mãe, tem igual não.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Cobra de duas cabeças (incompleto)
Quando seu íntimo desperta, por dois lados de uma moeda.
O pipoco da alegria, a criança nostálgica;
de decisões fortes, juízos certeiros e sorrisos úmidos.
O fogo da ardência, o varão corpulento;
de impulsos sufocantes, cheiros densos e cantos de boca.
E não, pois, sem razão se mostram;
são evocados por uma deusa mística,
de insinuoções prazerosas
encantos arrebatadores.
O pipoco da alegria, a criança nostálgica;
de decisões fortes, juízos certeiros e sorrisos úmidos.
O fogo da ardência, o varão corpulento;
de impulsos sufocantes, cheiros densos e cantos de boca.
E não, pois, sem razão se mostram;
são evocados por uma deusa mística,
de insinuoções prazerosas
encantos arrebatadores.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Vi Caruso Andante
E Caruso caminhou
Por entre o barro, caminhou
Era uma massa úmida e vermelha;
Carnal.
Das entranhas da terra roxa, brotava
Eram os miolos.
Caminhou a passos trêmulos
machucando o solo, calcanhando.
projetava-se, fantasmagórico, canto a outro
E com isso misturava
As borbulhas do chão, misturava;
O soluço do chão, misturava;
se misturava.
Caruso olhou o horizonte
No escuro, tateou com os olhos luz sublime
Era uma cruz luminosa
A estrela quadripontual
Reinante ao fundo negro
Piscou pra se comunicar
A resposta demorou chegar
No que veio se apagou
E Caruso rumou
Por entre o barro, caminhou
Era uma massa úmida e vermelha;
Carnal.
Das entranhas da terra roxa, brotava
Eram os miolos.
Caminhou a passos trêmulos
machucando o solo, calcanhando.
projetava-se, fantasmagórico, canto a outro
E com isso misturava
As borbulhas do chão, misturava;
O soluço do chão, misturava;
se misturava.
Caruso olhou o horizonte
No escuro, tateou com os olhos luz sublime
Era uma cruz luminosa
A estrela quadripontual
Reinante ao fundo negro
Piscou pra se comunicar
A resposta demorou chegar
No que veio se apagou
E Caruso rumou
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Abstinência
no meu peito, o corpulento embalo
de um coração que soluça saudade
A assoar, de suas membranas sôfregas
Faz que se encolhe; manhoso
Não aguenta e irrompe em choro outra vez
geme o gultural sentido da solidão
e lamenta
segunda-feira, 12 de março de 2012
Sem Título 2
Quero deixar correr livre o momento
Quero abraçar o movimento
A caneta a cuspir versos
Sem a mínima retenção
Quero escutar a tosse ritmada
O pigarro analógico do meu coração
Quero abraçar o movimento
A caneta a cuspir versos
Sem a mínima retenção
Quero escutar a tosse ritmada
O pigarro analógico do meu coração
segunda-feira, 5 de março de 2012
Tudojunto
somostodosum
apenasum
somosum
somostodoetudo
tudotudo
nãosepara
nãosepáraanatureza
detodosum
somosum
odoiséfalso
odoiséum
ummaisuméum
doismaisdoiséum
tudoéum
somostodosum
sóum
nãohádois
nãoadois
nemtrês
nemmais
sóum
um
apenasum
somosum
somostodoetudo
tudotudo
nãosepara
nãosepáraanatureza
detodosum
somosum
odoiséfalso
odoiséum
ummaisuméum
doismaisdoiséum
tudoéum
somostodosum
sóum
nãohádois
nãoadois
nemtrês
nemmais
sóum
um
domingo, 26 de fevereiro de 2012
A lei bovina ou Cowboys ruminantes
Uma partilha e seus dois lados
Há o relógio canhoto, o afastado faroeste
Há a bússola esquecida, a destra descreditada
No torto hemisfério esquerdo
Dominam os bêbados cowboys
e a lei bovina
Os cowboys são homens sérios
Levam tão a sério o ofício, que,
dos bois se inspiraram e começaram a regurgitar
E ruminar, e ruminar, e ruminar...
Sem renovação
O seu assunto é uma poça opaca de vômito
cada vez mais inócua e doente
E como o ruminar não os basta
os duelos são travados
Os bêbados se debatem
sem de fato saber porquê
Não tem novas armas
Tudo é passado e vencido
O fogo é vencido, o pensamento e até o vômito são vencidos
O duelo nunca acaba
E o faroeste cada vez mais far...
Há o relógio canhoto, o afastado faroeste
Há a bússola esquecida, a destra descreditada
No torto hemisfério esquerdo
Dominam os bêbados cowboys
e a lei bovina
Os cowboys são homens sérios
Levam tão a sério o ofício, que,
dos bois se inspiraram e começaram a regurgitar
E ruminar, e ruminar, e ruminar...
Sem renovação
O seu assunto é uma poça opaca de vômito
cada vez mais inócua e doente
E como o ruminar não os basta
os duelos são travados
Os bêbados se debatem
sem de fato saber porquê
Não tem novas armas
Tudo é passado e vencido
O fogo é vencido, o pensamento e até o vômito são vencidos
O duelo nunca acaba
E o faroeste cada vez mais far...
Cantalmágua
O canto; a alma; a água
Os três lados de uma pirâmide
Quero o disforme, o amorfo e o metamorfo
quero tudo
Quero derramar deste cálice
Sobre as escadarias dos gêneros e das possibilidades
E beber de cada taça ali presente
E se a goela não der conta
Eu me banho deste flúido
Num mergulho por entre plantações de arroz, o meu texto
E dos mil grãos tomarei forma
tomarei
A forma é a alma da caverna adormecida
Que guarda o canto: gotículas sarapantosas coaxando
Alma que canta, alma que reflete.
O espelho d'água, d'alma.
Os três lados de uma pirâmide
Quero o disforme, o amorfo e o metamorfo
quero tudo
Quero derramar deste cálice
Sobre as escadarias dos gêneros e das possibilidades
E beber de cada taça ali presente
E se a goela não der conta
Eu me banho deste flúido
Num mergulho por entre plantações de arroz, o meu texto
E dos mil grãos tomarei forma
tomarei
A forma é a alma da caverna adormecida
Que guarda o canto: gotículas sarapantosas coaxando
Alma que canta, alma que reflete.
O espelho d'água, d'alma.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Sem título
ao Casa Amarela - (Nova Torre)
à testa e vidro gelado
enxergo por entre as lentes de uma chuva qualquer
A arte está por todos os lados
está no próprio ato de o ser
podia ser fato, mas não é
Não enquanto soar.
à testa e vidro gelado
enxergo por entre as lentes de uma chuva qualquer
A arte está por todos os lados
está no próprio ato de o ser
podia ser fato, mas não é
Não enquanto soar.
Vento
- É vento!
Diz-se da possibilidade
Não há nada que a expresse com tanta clareza
Transparente
A que quase (ou) cause não existência
Toca, sutil, os rostos e os pelos
Não preconiza
É a mais pura incerteza
Fantasma do desapego
É o vento
Diz-se da possibilidade
Não há nada que a expresse com tanta clareza
Transparente
A que quase (ou) cause não existência
Toca, sutil, os rostos e os pelos
Não preconiza
É a mais pura incerteza
Fantasma do desapego
É o vento
Feijão
Me esvaeço de forma simples
tal qual feijão pressente a mesa
Apressadamente perco-me em vapor e suor
Gélido; falo-me por sussurros acanhados
Passo correndo, furtivo
Como o gato assustado.
tal qual feijão pressente a mesa
Apressadamente perco-me em vapor e suor
Gélido; falo-me por sussurros acanhados
Passo correndo, furtivo
Como o gato assustado.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Caminho do Meio
Sigo, sigo
Vou rumando às questões
E penso cá comigo
Mentescrevo confissões
será crime ou castigo?
serão asas ou grilhões?
Sigo, sigo
Tomo o rumo de andar
façopenso que não ligo
Saio cá e chego lá
Mas num passo não ouvido
No embalo do brilhar
Sigo, sigo
pelo meio.
Vou rumando às questões
E penso cá comigo
Mentescrevo confissões
será crime ou castigo?
serão asas ou grilhões?
Sigo, sigo
Tomo o rumo de andar
façopenso que não ligo
Saio cá e chego lá
Mas num passo não ouvido
No embalo do brilhar
Sigo, sigo
pelo meio.
Onírico
Estava eu a desfrutar
Do acalanto de uma árvore, quando
De repente
Toda luz se apagou.
Tudo aquilo que não tinha vida
Como que de dentro chorou
Sumiram as pedras e as montanhas
As cercas e as folhas secas
Só ficaram árvores e pouca terra entre as raízes
E as estrelas nos olhavam
Num piscar que perguntava
"Se tu acha que isso é tudo,
quiçá se achasse que era nada?"
Do acalanto de uma árvore, quando
De repente
Toda luz se apagou.
Tudo aquilo que não tinha vida
Como que de dentro chorou
Sumiram as pedras e as montanhas
As cercas e as folhas secas
Só ficaram árvores e pouca terra entre as raízes
E as estrelas nos olhavam
Num piscar que perguntava
"Se tu acha que isso é tudo,
quiçá se achasse que era nada?"
Mãos redondas
poema vencedor do concurdo de poesia valendo "Saga Lusa" autografado por A. Calcanhoto
Tem um círculo em
minhas mãos!
Não importa o que eu
faça
Não importa a posição
Tem um círculo em
minhas mãos!
O que é circulo é
circulo
E o que não é, é
também!
Tudo aquilo que eu...
monto?
Com as mãos de
qualquer jeito
Qualquer jeito, qualquer
forma
É círculo!!
Como sair deste mundo
redondo?
Onde tudo, tudo o que
faço com as mãos
Não é palma
Não é reza
Não é oração
Só tem círculos em
minhas mãos!
Não adianta correr
Nem embaralhar os
dedos
E se eu cortar as
mãos?
Talvez... sim?
Acho que não
Meu sangue jorrará
redondo!
Hahahaha!
O melhor é aceitar
Então vamos lá
Vamos rolar!
Mas nada de
automático
A rolagem é manual!
Flor do Mandacaru
Era uma existência muito simples
Mas de uma beleza elaborada
Foram todas as pétalas escupidas
Pela mais perfeccionista Fada
Não é um encanto acessível
Na torre verde está guardada
Protegida por afiados espinhos
Guardiões de uma beleza rara
Lá me espera esta flor
Bem no alto e distante
Estou certo é meu amor
Sinto isto a cada instante
E esta flor bem se assemelha
Àquela moça muito arrumada
Uma pintura renascentista
De elegância bem desenhada
Sem dúvida é mote muito fértil
Para qualquer romântico ou trovador
Escrever uma bela narrativa
Ou glosar uma cantiga de amor
Mas de uma beleza elaborada
Foram todas as pétalas escupidas
Pela mais perfeccionista Fada
Não é um encanto acessível
Na torre verde está guardada
Protegida por afiados espinhos
Guardiões de uma beleza rara
Lá me espera esta flor
Bem no alto e distante
Estou certo é meu amor
Sinto isto a cada instante
E esta flor bem se assemelha
Àquela moça muito arrumada
Uma pintura renascentista
De elegância bem desenhada
Sem dúvida é mote muito fértil
Para qualquer romântico ou trovador
Escrever uma bela narrativa
Ou glosar uma cantiga de amor
Alma-espelho
Muito se engana quem diz
que o ser humano não tem alma
Dos outros incógnitos, só me resta a incógnita
Mas todas as nossas mulheres, Afirmo,
Só parem animados
Abre os olhos e tu verás
O quão grande fica teu mundo
Cheira, ouve, come!
Aumenta-te a ti mesmo
Apodera-te do que é teu
Vai ser livre homem...Vai ser livre mulher
Dentro de tudo que não te existe, reflete!
Sim, reflete!
Usa tua alma, vive!
É lá que existe, não dentro, nem fora
Existe nela, na alma, o espelho
É o espelho da alma
Chafurda nele
Chafurda o mundo
Descobre, mas não te ilude
Não creia na criação
Crê no que se mostra
Não no que aparece
Crê no que esconde
Não no que inventa
- Tá vendo tudo isso aí? Já existia desde o início
Retira, enfim, a capa da tua alma
Desvenda esse teu espelho
Reluzente do mais habilidoso polimento
Ora abre-te logo!
Não vês que a natureza tua é refletir?
Espalha-te a ti e a teus sentidos
Se emaranha pelo mundo
Faz desse mundo teu mundo tornando-te a ele mesmo
Esse é teu destino
É esse o teu fim
Te perder na imensidão que te descobre e tu descobres
que o ser humano não tem alma
Dos outros incógnitos, só me resta a incógnita
Mas todas as nossas mulheres, Afirmo,
Só parem animados
Abre os olhos e tu verás
O quão grande fica teu mundo
Cheira, ouve, come!
Aumenta-te a ti mesmo
Apodera-te do que é teu
Vai ser livre homem...Vai ser livre mulher
Dentro de tudo que não te existe, reflete!
Sim, reflete!
Usa tua alma, vive!
É lá que existe, não dentro, nem fora
Existe nela, na alma, o espelho
É o espelho da alma
Chafurda nele
Chafurda o mundo
Descobre, mas não te ilude
Não creia na criação
Crê no que se mostra
Não no que aparece
Crê no que esconde
Não no que inventa
- Tá vendo tudo isso aí? Já existia desde o início
Retira, enfim, a capa da tua alma
Desvenda esse teu espelho
Reluzente do mais habilidoso polimento
Ora abre-te logo!
Não vês que a natureza tua é refletir?
Espalha-te a ti e a teus sentidos
Se emaranha pelo mundo
Faz desse mundo teu mundo tornando-te a ele mesmo
Esse é teu destino
É esse o teu fim
Te perder na imensidão que te descobre e tu descobres
Temporal
O futuro nasce a cada instante no presente
mas guarda a morte predita
o presente morre a cada momento em passado
mas é lá, no passado, que está a vida
o nascer está morto;
a morte, sendo gerida, está no útero da existência
aguarda os meses, as horas, os dias
até chegar a curta linha
que separa o que foi e o que vem
trazendo a notícia que transforma em ninguém
o ordinário sujeito que ainda... já tem.
o passado morto é a vida concreta
no futuro nascente está a morte certa
mas guarda a morte predita
o presente morre a cada momento em passado
mas é lá, no passado, que está a vida
o nascer está morto;
a morte, sendo gerida, está no útero da existência
aguarda os meses, as horas, os dias
até chegar a curta linha
que separa o que foi e o que vem
trazendo a notícia que transforma em ninguém
o ordinário sujeito que ainda... já tem.
o passado morto é a vida concreta
no futuro nascente está a morte certa
2eus
à Paco Cac
Eu sou uma prisão para eu
Tudo que eu quero eu não deixa(o)
Eu só deixa(o) eu falar com eu
Porque eu tem(nho) medo que eu vá embora
Que eu me perca no mundo
Que eu deixe de ser eu e me torne nós
Por isso eu me deixa(o) trancado dentro de eu
Pouca gente conhece eu
Mas muita gente conhece eu
Aliás
As pessoas que me conhecem
Só conhecem mesmo eu
Eu me confundo com eu
E já nem sei mais quem eu sou(é)
Se sou eu ou simplesmente eu
Eu não deixa(o) eu sair pro mundo
Quem sabe eu me perca(o) por ai
Mas eu ta cansado de ficar dentro d’eu
Eu já cansou dessa briga d’eus
Ta difícil eu ficar preso aqui
É difícil viver dentro d’eu
Porque eu quer(o) sair toda hora
Mas eu não deixa(o)
- Professora, toda vez que saio da sala quero te abraçar –
disse eu
Mas eu nunca deixa(o) eu fazer o que quer(o)
- Eu quero andar sem camisa por ai – disse eu para eu
Mas eu não deixou novamente
Quando que 2eus deixarão de ser 2eus?
Quero ser eu, mas só dá eu e ai eu se(me) confunde(o)
Quero ser só eu sem mais eu nenhum
Um só eu
Um eu
Uneu
Uniu!
Anti-Canção-do-Exílio(Terra Mátria)
minha terra tem de tudo
planta de tudo
canta de tudo
todas as aves tu vais encontrar
no nosso céu, todas as estrelas
nas várzeas até sabiá
nos bosques, todas as vidas
e os amores, ai os amores...
em pensar sozinho a noite
não consigo acompanhar
o quão grande fica
essa terra de sabiás
Minha terra tem primores
que eu sei, não vou contemplar
pois tão vasta é essa terra
que por completa, nunca vou enxergar
eita terra grande, essa terra de sabiá
Não permita Deus que eu morra
sem pelo menos conhecer
a metade dessa terra
A metade desse ser
Não permita Deus que morra
Terra Mátria, mãe de tudo
e projenitora desse mundo,
Morta pela própria cria
Não permita a essa poesia
o caráter de exílio
pra que eu não venha a me mudar
da minha terra de sabiá...
planta de tudo
canta de tudo
todas as aves tu vais encontrar
no nosso céu, todas as estrelas
nas várzeas até sabiá
nos bosques, todas as vidas
e os amores, ai os amores...
em pensar sozinho a noite
não consigo acompanhar
o quão grande fica
essa terra de sabiás
Minha terra tem primores
que eu sei, não vou contemplar
pois tão vasta é essa terra
que por completa, nunca vou enxergar
eita terra grande, essa terra de sabiá
Não permita Deus que eu morra
sem pelo menos conhecer
a metade dessa terra
A metade desse ser
Não permita Deus que morra
Terra Mátria, mãe de tudo
e projenitora desse mundo,
Morta pela própria cria
Não permita a essa poesia
o caráter de exílio
pra que eu não venha a me mudar
da minha terra de sabiá...
Movimento da Reflexão
Não sou poeta de gritação
Lê estes versos no mais baixo tom da tua alma
Encosta o ouvido caridosamente em meus sussurros
O que eu te falo é muito sutil
Não descuida; Podes te fugir
Dos teus olhos quero a máxima atenção
Da tua mente o mais profundo mergulho
Toma fôlego, te prepara.
Não espera aqui nenhuma salvação
Posso te enganar sem falar nada
Posso te ajudar sem ter a intenção
Não espera a rima
O ordinário aqui tu também não encontrarás
Aqui também te engano
Aqui te decepciono
Não é dos prazeres que resolvi solver-te
É do movimento, do simples movimento da reflexão
Movimento que não se move
Não se espera
Não se escolhe
Se procura
Se acha
Achei
Está aqui.
Lê estes versos no mais baixo tom da tua alma
Encosta o ouvido caridosamente em meus sussurros
O que eu te falo é muito sutil
Não descuida; Podes te fugir
Dos teus olhos quero a máxima atenção
Da tua mente o mais profundo mergulho
Toma fôlego, te prepara.
Não espera aqui nenhuma salvação
Posso te enganar sem falar nada
Posso te ajudar sem ter a intenção
Não espera a rima
O ordinário aqui tu também não encontrarás
Aqui também te engano
Aqui te decepciono
Não é dos prazeres que resolvi solver-te
É do movimento, do simples movimento da reflexão
Movimento que não se move
Não se espera
Não se escolhe
Se procura
Se acha
Achei
Está aqui.
Poema
um vento forte sibila à minha janela
fala uma língua que não sei entender
vai assombrado, animado...?
mensageiro de algum recado
não sei pra mim ou pra você
Se um Deus soprasse ao pé do meu ouvido
Seria este o som produzido?
temo trai-lo meu vento surdo
se não é de rima teu conteúdo
mas só te exponho nesta contenda
pois não é médico e nenhum douto
que decifra à luz da pena,
fala uma língua que não sei entender
vai assombrado, animado...?
mensageiro de algum recado
não sei pra mim ou pra você
Se um Deus soprasse ao pé do meu ouvido
Seria este o som produzido?
temo trai-lo meu vento surdo
se não é de rima teu conteúdo
mas só te exponho nesta contenda
pois não é médico e nenhum douto
que decifra à luz da pena,
Pressão
Entre as asas pesadas de um dilema
tento em vão respirar
Elas me esmagam de forma sutil
Sem o consenso de minha alma,
Me esmagam
Me afagam
Me afogam entre penas e lamúrias
Um atentado ao meu viver
Me banho em minha consciência
Num mergulho sem chão e sem superfície
É uma água gélida onde
sou julgado por espinhos de profanação
Solvido em culpa e retração
Pressão
tento em vão respirar
Elas me esmagam de forma sutil
Sem o consenso de minha alma,
Me esmagam
Me afagam
Me afogam entre penas e lamúrias
Um atentado ao meu viver
Me banho em minha consciência
Num mergulho sem chão e sem superfície
É uma água gélida onde
sou julgado por espinhos de profanação
Solvido em culpa e retração
Pressão
Matemática
há um pouco por cento de mim em tudo no mundo
e metade por cento de mim é o mundo
a outra metade foi o que eu refleti
dois quartos eu separei pro amor
um meio de não me afogar para as emergências
posso dizer, seguramente
como dois e dois não são nada
há cômodos por entreaberto
há camas sem se deitar
mas o que não há de se faltar nunca
sem sombra de dúvida
é a sombra
é a dúvida
e metade por cento de mim é o mundo
a outra metade foi o que eu refleti
dois quartos eu separei pro amor
um meio de não me afogar para as emergências
posso dizer, seguramente
como dois e dois não são nada
há cômodos por entreaberto
há camas sem se deitar
mas o que não há de se faltar nunca
sem sombra de dúvida
é a sombra
é a dúvida
Conversão
Os tolos mentem ao falar do coração
Parte miserável do meu corpo
Não há prazer, não há diversão
bombeados por músculo louco
Poderíamos então considerar
o cérebro o mentor da euforia
É uma pena, sinto informar
mas esta não é a fonte de minh'alegria
A poesia está nos pulmões
Está na magia da conversão
Faz do ar simples e impuro
o gás estúpido da paixão
Não é oxigênio, não é carbono
Os elementos dessa transe
É uma matéria metafísica
que atmosfera nosso romance
Parte miserável do meu corpo
Não há prazer, não há diversão
bombeados por músculo louco
Poderíamos então considerar
o cérebro o mentor da euforia
É uma pena, sinto informar
mas esta não é a fonte de minh'alegria
A poesia está nos pulmões
Está na magia da conversão
Faz do ar simples e impuro
o gás estúpido da paixão
Não é oxigênio, não é carbono
Os elementos dessa transe
É uma matéria metafísica
que atmosfera nosso romance
Carta para ler depois de morrer
Então ai estás tu
Estirado, morto, inútil
Ler não lês mais, mais tens sim esta carta para ler
Sentir não sente mais
E a dor, a única serventia dessas letras
Escritas à luz de um poste
à luz do mesmo poste que ilumina opção da possível queda
Chão que chama
chama queda
chama apaga
E pois, se tu agora fores um fantasma
Volta pra essa página e ri.
E pos, se agora fores santo no paraiso
Esquece dessas lamúrias, não são da tua conta.
Se fores cão no inferno, te aproveita do material
É precioso.
Mas se fores só poeira no morro branco
Semea.
Estirado, morto, inútil
Ler não lês mais, mais tens sim esta carta para ler
Sentir não sente mais
E a dor, a única serventia dessas letras
Escritas à luz de um poste
à luz do mesmo poste que ilumina opção da possível queda
Chão que chama
chama queda
chama apaga
E pois, se tu agora fores um fantasma
Volta pra essa página e ri.
E pos, se agora fores santo no paraiso
Esquece dessas lamúrias, não são da tua conta.
Se fores cão no inferno, te aproveita do material
É precioso.
Mas se fores só poeira no morro branco
Semea.
O Pirata da Nau Agora
Eu sou o pirata da Nau Agora
Velas sempre içadas
O futuro é meu destino necessário
Sem olhar para tráz
Navego pelo mar do tempo
Não tenho medo dos abismos
Nem dos monstros marinhos
Trago comigo toda uma munição de planos
Na minha bússola há sempre quatro nortes
E nos baús pouco ouro porque
você sabe, passado pesa
O papagaio, meu único homem, a tripulação
É verde e azul com uma pena vermelha
O mastro é uma vela e, de bandeira
uma chama incoteste
Navegar é preciso
Navegar sem olhar pra tráz
Velas sempre içadas
O futuro é meu destino necessário
Sem olhar para tráz
Navego pelo mar do tempo
Não tenho medo dos abismos
Nem dos monstros marinhos
Trago comigo toda uma munição de planos
Na minha bússola há sempre quatro nortes
E nos baús pouco ouro porque
você sabe, passado pesa
O papagaio, meu único homem, a tripulação
É verde e azul com uma pena vermelha
O mastro é uma vela e, de bandeira
uma chama incoteste
Navegar é preciso
Navegar sem olhar pra tráz
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